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31/05/2012

Césio de Fukushima contamina atum dos EUA


Pequenas quantidades de césio foram encontradas em uma espécie de atum na costa oeste dos Estados Unidos. Após pesquisa, cientistas norte-americanos acreditam que a contaminação pode ter sido originada pela radiação causada pelo vazamento ocorrido na usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi. A suspeita foi publicada nesta segunda-feira (28/05) pela revista científica PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Atum-rabilho

Segundo o estudo, em 15 exemplares de atum-rabilho de um grupo que foi coletado para avaliação no litoral de San Diego, na Califórnia, em agosto do ano passado, foram dectatadas a presenção de 4 becqueréis de césio-137 e de 6,3 becqueréis de césio-134. Cinco meses antes, em 11 de março, a usina nuclear japonesa foi atingida por um terremoto e um tsunami, e entrou em colapso, o que resultou em vazamento de materiais radioativos. O becquerel é a unidade de medida de radioatividade adotada pelo Sistema Internacional. Um becquerel corresponde à atividade de um material no qual se produz uma desintegração nuclear espontânea por segundo.

O nível encontrado nesses exemplares é dez vezes maior do encontrado nos atuns da mesma espécie e na mesma área nos anos anteriores. Entretanto, continuam abaixo dos níveis considerados prejudiciais à saúde pelos governos dos EUA e do Japão. Recentemente,o governo estipulou um limite de segurança de 100 beqcueréis por quilo de alimentos.

A descoberta sugere que o peixe levou a radiação de um lado do Pacífico para o outro de forma mais rápida do que a água ou o vento. O atum pode nadar a profundidade de até mil metros e atinge a velocidade de 64 quilômetros por hora.

“Eu não diria às pessoas o que elas devem ou não devem comer. Algumas pessoas acreditam que, por mais modestos que sejam, quaisquer níveis de radiação são ruins e devem ser evitado. Mas comparando o que encontramos e os níveis de segurança estabelecidos, não é uma grande quantidade”, diz Daniel Madigan, pesquisador da Universidade de Stanford que comandou as pesquisas.

A empresa operadora da usina de Fukushima, Tokyo Electric Power, estima que 18 terabecqueréis de material radioativo foram jogados no Pacífico após a tragédia, sob a forma de chuva ou se misturando-se diretamente à água do mar. Um terabecquerel é equivalente a um trilhão de becqueréis.

24/02/2012

Cientistas chamam atenção para futuro dos oceanos


A conferência anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS) foi realizada de 16 a 20 de fevereiro em Vancouver, cidade à beira-mar no Canadá. Não por acaso, diversos relatos de pesquisas relevantes sobre a vida e o futuro dos oceanos foram apresentados durante o encontro e chamaram a atenção do público em geral e especialmente da comunidade local.

Uma das exposições de grande repercussão foi a de James Hansen, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial norte-americana. Segundo Hansen, o uso intensivo de combustíveis fósseis e o consequente aumento das temperaturas médias dos oceanos (já bastante superiores às do Holoceno) podem levar, entre outras consequências, a elevações de vários metros do nível dos oceanos e à extinção de entre 20% e 50% das espécies do planeta.

A elevação do nível dos mares coloca em risco a própria existência física de cidades em áreas costeiras de baixa altitude, como é o caso de Vancouver, entre muitas outras. O fenômeno é intensificado pelo derretimento de parte das calotas polares, também decorrente do aquecimento global, especialmente em regiões mais próximos dos polos, como também é o caso da cidade canadense.

O alerta de Hansen, uma das grandes estrelas da reunião da AAAS, teve, portanto, grande impacto na opinião pública da cidade anfitriã da conferência, inclusive porque suas autoridades públicas tomaram recentes decisões que seguem na contramão das advertências do cientista.

Por exemplo, há planos para dobrar a produção de carvão metalúrgico e fazer crescer significativamente a de gás natural liquefeito, não só para atender à demanda local por energia, mas também para exportação.

Menos célebre do que Hansen, mas também muito respeitado na comunidade científica internacional, Villy Christensen, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, apresentou resultados iniciais, mas impressionantes, de seu projeto Nereus, cujo nome homenageia o deus grego que previa o futuro e morava no mar Egeu.

Segundo Christensen, as melhores estimativas atuais são de que há nos oceanos cerca de 2 bilhões de toneladas de peixe, ou seja, cerca de 300 quilos para cada habitante do planeta. No entanto, pelo menos metade disso está em zonas muito profundas dos mares, é constituída de espécies pequenas demais em tamanho e, por isso, é inviável para exploração comercial e consumo humano.

E na outra metade, de peixes que medem pelo menos 90 centímetros e são apropriados para alimentação de pessoas, houve um declínio da biomassa de 55% de 1970 até agora. “É uma mudança dramática e global”, disse.

Christensen defendeu que se invista mais em pesquisa sobre a vida marinha e especialmente sobre o impacto do aquecimento global sobre ela para que decisões políticas apropriadas possam ser tomadas, mas – apesar da necessidade de mais estudos – ele acha que o que já se sabe é suficiente para muita preocupação com o futuro.

Por exemplo, há a previsão de que o aumento da temperatura das águas vai fazer com que muitas espécies de animais marinhos procurem as águas mais frias das regiões mais próximas dos polos, o que poderia beneficiar os habitantes dessas áreas.

Mas William Cheung, que trabalha no mesmo projeto Nereus, argumenta que essa conclusão otimista pode ser apressada e errada: diferenças de quantidade de oxigênio em águas frias e quente e a crescente acidificação dos oceanos, outra consequência das mudanças climáticas, também comprometem negativamente a produtividade marítima.

Lisa Levin, do Instituto de Oceanografia Scripps, da Califórnia, em outra atividade da conferência da AAAS, corroborou indiretamente a fala de Cheung. Levin mostrou conclusões de sua pesquisa, segundo as quais o aquecimento dos oceanos produzidos pelas mudanças climáticas está causando a expansão de zonas submarinas de baixo oxigênio, o que afeta negativamente a produção pesqueira de diversas regiões, inclusive as da costa da Colúmbia Britânica.

Levin chama o fenômeno de “compressão de habitat” e disse que ele afeta áreas que se estendem por mais de 150 mil quilômetros em torno das beiradas dos oceanos. Segundo suas previsões, até o ano de 2050, peixes que habitam nessas regiões podem perder 50% na variação da profundidade em que vivem.

Os canadenses são bastante sensíveis para este tipo de problema por já terem visto como podem ser socialmente dramáticos os seus efeitos. Há cerca de 20 anos, a escassez da produção de bacalhau na região de Newfoudland, na costa leste do país, provocou o fim de 40 mil empregos. Diversas espécies de peixe – como o do bacalhau atlântico daquela cidade – estão sendo consideradas como ameaçadas de extinção e sua pesca está sendo restringida ou totalmente proibida.

Patentes genéticas

Os efeitos dos problemas dos oceanos são percebidos em vários países. O professor Rashid Sumaila, também da Universidade da Colúmbia Britânica, apresentou aos participantes da conferência da AAAS estudos que conduziu no México que apontam redução de até 20% em poucos anos na produção de pesca de diversas espécies de peixes e moluscos.

Os efeitos de mudanças nos oceanos na vida do planeta discutidos na reunião da AAAS em Vancouver não se limitaram aos atuais e aos do futuro.

Peter DeMonocal, biólogo marinho da Universidade Columbia de Nova York, mostrou sua pesquisa, de acordo com a qual grandes diferenças de temperatura nos oceanos Índico e Pacífico que ocorreram há 2 milhões [na cronologia evolucionista] de anos foram responsáveis por alterações de padrões de chuva na África oriental que desertificaram vastas áreas daquele pedaço do mundo.

Mesmo quando as notícias sobre a exploração, a atividade e as mudanças nos oceanos apresentadas no encontro da AAAS são inegavelmente positivas, elas não deixaram de trazer junto com elas algum tipo de preocupação.

Por exemplo, Carlos Duarte, diretor do Instituto de Oceanos da Universidade da Austrália Ocidental, relatou como um grande tesouro de recursos genéticos está sendo descoberto e permitirá aplicações em diversos setores da economia, como medicamentos para combater dores, câncer, regenerar tecidos e ossos ou para gerar biocombustíveis.

De acordo com Duarte, desde 2009 cerca de 5 mil patentes genéticas de organismos marinhos foram requeridas e é previsto um aumento de 12% ao ano desta quantidade. Duarte também afirmou que a vida marinha tem uma diversidade muito superior à da terrestre e que pode levar até mil anos para que todas as suas espécies sejam descobertas e catalogadas.

Tudo isso pode ser ótimo, mas também pode provocar ainda mais problemas se não houver uma regulamentação bem concebida e cumprida rigorosamente para evitar excessos na pesquisa e exploração desses recursos, que agravariam ainda mais os efeitos das mudanças climáticas.

Além disso, há a questão de quem vai usufruir materialmente dessas descobertas. Apenas dez países têm 90% dos pedidos de patentes genéticas de organismos marinhos e três deles (Estados Unidos, Alemanha e Japão) têm 70%.

Isso pode fazer com que o fosso entre países ricos e pobres aumente ainda mais, com as inevitáveis tensões sociais decorrentes, e causar atritos diplomáticos capazes de prejudicar eventuais compromissos em decisões sobre problemas críticos, como os das mudanças climáticas. 

28/12/2011

Marca de 7 bilhões de pessoas revela grave problema sanitário



O final de outubro deste ano assistiu a humanidade alcançar mais uma marca histórica: segundo as estimativas das Nações Unidas, somos agora 7 bilhões de pessoas respirando sobre o Planeta Terra. Mas não estamos apenas respirando: nós também trabalhamos, dormimos, comemos; e sim, defecamos. Já pensou a quantidade de fezes que é produzida por sete bilhões de pessoas?

Representantes de ONGs ambientais e humanitárias, de atuação internacional, chamam a atenção para um problema geralmente oculto. Os números da ONU revelam que 2,6 bilhões de pessoas (ou seja, 37% da população mundial) não têm saneamento básico e depositam seus excrementos no ambiente. A cada ano, 200 milhões de toneladas de fezes são lançadas na natureza sem tratamento.

Uma série de problemas pega carona nesse panorama, porque 90% destes excrementos sem saneamento são atirados em rios. Quando há chuvas pesadas, em países subdesenvolvidos, o líquido que corre pelas ruas, nas enchentes, não é nada saudável. Mas o risco de doenças relacionadas a excrementos apresenta, ele próprio, um leque maior de preocupações.

No mundo, morrem cerca de 1,4 milhões de crianças devido a doenças ligadas à falta de saneamento a cada ano. É como se perdêssemos uma criança por essa razão a cada 20 segundos. Uma das ONGs, a WaterAid, critica a ONU, que havia se comprometido a tomar ações para reduzir pela metade o número de pessoas sem saneamento no mundo até 2015, e agora consideram esse número “fora de alcance”.

O problema, segundo as entidades, é também cultural. O governo indiano, já nos anos 80, deu milhões de latrinas à população. Embora não sejam o ideal, as latrinas com cobertura química (geralmente, uma pá de cal) evitam o acesso de mosquitos e proliferação de doenças. Mas as autoridades da Índia tiveram, alguns anos depois, uma péssima surpresa: as pessoas usavam a “casinha” como estábulo ou depósito, e mantinham o hábito de defecar no ambiente.

Além do óbvio problema da contaminação, defecar ao ar livre leva consigo mais problemas culturais. Em algumas áreas da África subsaariana, nas localidades em cujas casas não há sequer latrina, mulheres são vítimas de estupro momentos antes de serem obrigadas a fazer suas necessidades em um arbusto.

E nem todas as latrinas são de boa qualidade. Quando não há manutenção adequada, ela logo fica infestada de insetos e exala um cheiro insuportável. Os pesquisadores da WaterAid explicam que isso é um problema gravíssimo, porque as pessoas claramente optam por defecar no rio ao invés da latrina diante dessa situação, o que amplia o problema ambiental.

Nas áreas urbanas, esse problema fica explícito em favelas. Os dados da ONU revelam que a população mundial morando em favelas caiu de 39% em 2000 para 30% em 2010. Pode parecer um alento, mas o número absoluto de pessoas nessa situação subiu. Em alguns casos, o governo municipal simplesmente não reconhece uma favela como parte do perímetro urbano, e todos os moradores ficam à margem de qualquer assistência sanitária.

Algumas cidades ainda apresentam paisagem semelhante a centros urbanos desenvolvidos do século XVIII: ruas estreitas, uma casa ao lado da outra, nada que se pareça com uma latrina para depositar as fezes. Em muitos lugares do mundo, os dejetos ainda são atirados à rua diretamente.

A falta de saneamento chega a criar situações surreais. Uma pesquisa recente, em países subdesenvolvidos, aponta que 20% das meninas deixam de ir à escola por falta local adequado para fazer as necessidades. Ou seja, até os índices de educação e alfabetismo são afetados pelas péssimas condições sanitárias.

Diante de um quadro tão pessimista, a WaterAid pensa em estratégias para “convencer” as autoridades da seriedade do problema. Um dos argumentos é econômico: de acordo com um levantamento, para cada dólar investido pelo Estado em saneamento básico, oito dólares são poupados em saúde pública. Segundo a ONG, 30 dólares (cerca de 52 reais, na conversão atual) são suficientes para garantir a uma pessoa acesso básico a água tratada e saneamento.

Embora os focos de maior atenção estejam em países pobres da África e Ásia, as nações desenvolvidas não estão livres do problema. Quando uma metrópole cresce além da sua capacidade, é comum que o esgoto não tenha estrutura suficiente para suportar o volume de fezes que cria. Em alguns locais, excrementos são depositados na natureza pela própria rede de esgoto super saturada.

Medidas para solucionar essa questão são urgentes, como explicam os pesquisadores, porque a população não está caindo. Por volta de 2100, calcula-se que haverá 10 bilhões de pessoas na Terra. Se o panorama com relação às fezes já é tão preocupante com a população atual, os cientistas nem conseguem prever o que pode acontecer se houver três bilhões de humanos a mais. 

Fonte: LiveScience

Nota: O final da postagem diz: "os cientistas nem conseguem prever o que pode acontecer se houver três bilhões de humanos a mais". Mas em Lucas 21 temos uma previsão: "haverá em vários lugares... pestes e fomes". A falta de saneamento básico, diante do descaso dos governantes, é a principal causa das epidemias que têm ceifado milhões de vidas no mundo. Ao ler a bíblia, vejo o amor de Deus com os hebreus libertados do Egito ao promover uma educação sanitária e de higiene, fazendo deles um povo saudável e forte. Ainda hoje, a mensagem de saúde pessoal e pública é o braço direito do evangelho eterno.

15/12/2011

Vinte lagos naturais desaparecem na China a cada ano

A cada ano desaparecem na China 20 lagos naturais dos 24 mil existentes no país devido à mudança climática e a ação humana, segundo foi apontado durante o 1º Fórum da China sobre Lagos realizado na cidade de Nanjing, informou nesta terça-feira a agência oficial "Xinhua".

Os lagos naturais cobrem uma superfície de 83 mil quilômetros quadrados na China e possuem um papel importante no equilíbrio ecológico, no controle das enchentes e na redução da seca.

A mudança climática que o planeta enfrenta trouxe grandes desafios e enquanto a qualidade da água se deteriora pela atividade humana, os sedimentos se acumulam, a extensão das terras úmidas diminui e os animais aquáticos sobrevivem com dificuldade.

"A capacidade dos lagos para controlar as enchentes e amenizar a seca foi afetada", acrescentou o documento apresentado no fórum.

O ministro de Recursos Hídricos da China, Chen Lei, se comprometeu a aumentar o investimento governamental na proteção dos lagos durante o fórum, do qual participaram durante o fim de semana cerca de 800 especialistas e funcionários públicos.

Fonte: UOL

Stéphane Hallegatte: limitar o aquecimento global a 2 graus é uma utopia

Stéphane Hallegatte é climatologista e economista da Météo France e do Centro Internacional de Pesquisa sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Cired). O cientista francês é um dos principais autores do próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês), esperado para o final de 2013. Em entrevista ao Le Monde, a climatologista fala sobre a meta de limitar o aquecimento global a 2 graus celsius.

Por Stéphane Foucart

Le Monde: O resultado da cúpula de Durban sobre o clima, que terminou no domingo (11), deixa em aberto a possibilidade de limitar o aquecimento em 2 graus Celsius acima do nível pré-industrial?

Stéphane Hallegatte: Após o acordo obtido em Durban, agora não há mais nenhuma chance de que haja um empenho rápido na redução de emissões de gases de efeito estufa, uma vez que o grande acordo internacional esperado só deve entrar em vigor em 2020!

Mas se as emissões não começarem a diminuir antes dessa data, será preciso em seguida fazer esforços maciços para reduzi-las, se quisermos ter uma boa chance de permanecer abaixo do nível dos 2 graus Celsius. Por esforços maciços entende-se uma diminuição acima de 5% por ano das emissões mundiais. É preciso dizer que a maior queda da História se deu na França nos anos 1980, durante o pico de desenvolvimento do setor eletronuclear e com grandes esforços de economia de energia, e que essa queda foi “só” de cerca de 4% ao ano...

O que foi possível para um país rico e desenvolvido não o é para o mundo como um todo, com 2 bilhões de seres humanos que nem sempre têm acesso a eletricidade, uma população urbana que não para de aumentar e o acesso aos transportes individuais, que vem se banalizando. Diminuir as emissões mundiais em 5% ao ano sem frear a redução da pobreza parece impossível.

Le Monde: Então a meta dos 2 graus Celsius foi definitivamente perdida?

Stéphane Hallegatte: O único meio de conseguir isso seria supondo que seremos capazes de fazer “emissões negativas” muito grandes na segunda metade do século 21, tirando, por exemplo, muito CO2 da atmosfera, capturando-o e conseguindo sequestrá-lo abaixo da terra. Mas as tecnologias de captura e de sequestro não estão suficientemente desenvolvidas hoje, e seus riscos associados são difíceis de avaliar.

Limitar o aquecimento a 2 graus Celsius é, portanto, uma meta atingível se nos ativermos a hipóteses extremamente otimistas. Seria preciso conseguir diminuir as emissões muito rapidamente e em grande intensidade após 2020, mantendo ao mesmo tempo o crescimento nos países pobres.

Le Monde: Deve-se manter uma meta que quase todo mundo sabe hoje ser quase inatingível?

Stéphane Hallegatte: Não há consenso nesse ponto. Para alguns, ainda é útil ter como meta aquilo que gostaríamos de ver se realizando... Mas é verdade que, se pensarmos nas políticas a implantar tendo em mente o número de 2 graus Celsius, evidentemente inatingível, isso não é muito construtivo. Em um momento, portanto, será preciso levantar a questão de uma mudança de passo.

Se daqui a três ou quatro anos não houver a manifestação de uma grande vontade política em nível mundial para limitar o aquecimento, os 2 graus Celsius claramente se tornarão utópicos. Na verdade, estamos perto do momento onde será insustentável continuar a incluir essa meta nos acordos internacionais e nas declarações políticas. Esse objetivo dos 2 graus Celsius ainda está presente no acordo assinado em Durban.

Le Monde: Desde quando esse número é apresentado nas negociações climáticas?

Stéphane Hallegatte: Ele apareceu nos textos oficiais após a cúpula do G20 que precedeu a cúpula de Copenhague sobre o clima, em dezembro de 2009. Mas é um número que foi formulado pela primeira vez pela União Europeia nos anos 1990, em uma época em que permanecer abaixo dos 2 graus Celsius de aquecimento parecia relativamente fácil. É um número mais político que científico. Ele representa um equilíbrio entre aquilo que parecia desejável e aquilo que parecia possível, a um custo aceitável.

Mas, quanto mais se espera para agir, mais difícil fica de se manter uma meta como essa. Nas decisões políticas clássicas, adiar uma realização não muda fundamentalmente o resultado. Com o clima, é muito diferente: a cada vez que se adia uma ação, os meios para implantá-la se tornam mais substanciais e os benefícios, menores. Esperar custa caro.

Le Monde: Na sua opinião, o que falta ao atual sistema de negociações, considerado por muitos observadores como bastante decepcionante?

Stéphane Hallegatte: É um problema extremamente difícil. Na realidade, trata-se de transformar todas as economias do mundo, tornando-as limpas, e de dividir grandes esforços de redução das emissões de gases de efeito estufa.

A negociação começou no início dos anos 1990, enquanto havia, de um lado, países pobres, e do outro, países ricos. A emergência da China, da Índia e do Brasil mudou tudo. E enquanto o equilíbrio de poderes entre os países do Norte e os emergentes não se estabilizar, as discussões internacionais não avançarão.

Na minha opinião, precisamos de ações que surjam localmente. Isso porque, paralelamente a resultados decepcionantes da negociação, acontecem muitas coisas localmente, mesmo em países como os Estados Unidos e a China.

Ali, quantias colossais são investidas em pesquisa e desenvolvimento, sobre energias renováveis, economia de energia, transportes... Quando projetos locais mostrarem que há vias de desenvolvimento e de melhorias no nível de vida sem um forte consumo de energia fóssil (petróleo, gás e carvão), as negociações terão sucesso.

Fonte: Le Monde
Tradução: Lana Lim

28/11/2011

UE: relatório aponta grave diminuição da flora de água doce

Os ecossistemas de água doce da União Europeia (UE) estão gravemente ameaçados e precisam de "medidas urgentes de conservação", informou um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza publicado nesta terça-feira. A poluição, a pesca em excesso, a perda dos habitats e a introdução de espécies exóticas figuram entre os motivos da diminuição.

O relatório, conhecido como A Lista Vermelha Europeia, avaliou a situação de 6 mil espécies e concluiu que o problema atinge 44% dos moluscos de água doce, 37% dos peixes, 23% dos anfíbios e 19% dos répteis. No topo do ranking dos ameaçados estão os moluscos, principalmente o mexilhão de água doce, antes muito estendido e agora confinado a poucos rios da França e da Espanha.

A existência de um plano de ação europeu e de programas de conservação em curso traz, no entanto, "esperanças para o futuro", conforme comunicado da Comissão Europeia. Dentre os peixes, o esturjão é o mais afetado, com sete das oito espécies europeias "em situação crítica".

A vegetação ligada a esses habitats, também ameaçada, inclui, por um lado, lavouras com plantio de beterraba, trigo, aveia e alface e ainda plantas silvestres. O relatório indica que 15% dos mamíferos e libélulas, 13% das aves, 11% de uma seleção de escaravelhos saproxílicos, 9% das borboletas e 467 espécies de plantas vasculares estão agora ameaçadas.

O Comissário do Meio Ambiente europeu, Janez Potocnik, declarou que a UE "pagará um preço muito alto" se não investigar as causas dessa diminuição e agir com urgência para detê-la. O lado positivo do relatório é que algumas medidas de conservação deram bom resultado, como a coordenação sobre habitats, que contribuiu para a proteção de zonas naturais.

A UE conta com uma nova estratégia de biodiversidade adotada em maio deste ano, que pretende, entre outros objetivos, proteger os ecossistemas, contribuir para uma agricultura e silvicultura sustentáveis e melhorar os controles sobre as espécies invasoras.

Fonte: Terra

02/08/2011

Precisamos de mais 27 planetas Terra

Uxbridge, Canadá, 2/8/2011 – Ainda que se multiplicasse por dez as áreas dedicadas no mundo inteiro a conservar plantas, animais e outras espécies, não seriam suficientes para enfrentar os grandes problemas do Século 21: o aumento populacional, o consumo desenfreado e o uso ineficiente dos recursos. E se estas questões não forem enfrentadas, a humanidade chegará aos dez bilhões de pessoas em 2050 e precisará de outros 27 planetas Terra para pagar o custo ambiental da demanda por recursos, afirma um novo estudo publicado no final de julho pela revista Marine Ecology Progress Series.
...
Para 2050, com população estimada em dez bilhões e sem mudanças nos padrões de consumo, o uso acumulado de recursos naturais equivalerá à produtividade de mais de 27 planetas Terra, segundo o estudo. Para manter os atuais sete bilhões de pessoas é necessária uma drástica mudança no uso de recursos. Atualmente, a pegada ecológica média de cada cidadão dos Estados Unidos é de dez hectares, enquanto a de um haitiano é de menos de um. O planeta poderia sustentar toda a humanidade se a pegada média de cada pessoa fosse de dois hectares, calcula Mora. Se há mais gente, simplesmente haverá menos recursos disponíveis para todos, por isso será necessário de um controle da população, afirmou.

Fonte: Envolverde

21/06/2011

Reflorestar o mundo não impedirá o Aquecimento Global

A investigação, que recorreu à modelação computacional, chegou à conclusão que a substituição de todas ou de metade das áreas cultivadas do planeta por florestas até 2060 resultaria, apenas, numa redução das temperaturas globais em 2100 de 0,45 ºC ou 0,25 ºC, respectivamente.

Cientistas canadianos publicaram recentemente na revista Nature Geoscience um estudo analisa a eficiência da reflorestação do planeta no combate às Alterações Climáticas.

Os investigadores Vivek Arora e Alvaro Montenegro da Environment Canadá/Universidade de Victoria (British Columbia) e da Universidade de St Francis Xavier, recorreram à modelação computacional para determinar o impacto da conversão em florestas das áreas agrícolas no que diz respeito à limitação da subida da temperatura.

Os seus resultados indicam que a substituição de metade ou de todas as zonas cultivadas por florestas até 2060 resultaria apenas numa diminuição das temperaturas em 2100 na ordem dos 0,25 ºC e 0,45 ºC, respectivamente.

Deste modo, afirma Vivek Arora “Os benefícios globais no que diz respeito à temperatura de qualquer reflorestação realista devem ser marginais”.

A investigação revelou ainda que nem todas as florestas contribuem de forma igual no combate ao Aquecimento Global, sendo as florestas tropicais 3 vezes mais eficientes do que as áreas florestais cobrem as regiões de latitudes mais elevadas, como resultado da sua capacidade de arrefecimento do meio envolvente decorrente da evaporação de água, que aumenta a reflexão da luz solar.

Os autores deste estudo defendem por isso que a importância das florestas nas zonas tropicais está a ser subestimada quando se avalia o seu potencial para contrariar o aumento das temperaturas exclusivamente através da sua capacidade de absorver e armazenar de carbono.

Esta função de captura e armazenamento do dióxido de carbono constitui a base do Programa de Redução das Emissões resultantes da Destruição e Degradação das Florestas (REDD), através do qual os países em desenvolvimento são pagos para preservar as suas florestas de acordo com a quantidade de CO2 que retêm.

Cientistas apontam sinais de extinção em massa nos mares

Não é apenas o ar, o solo ou os rios que são afetados pela atividade humana. De acordo com uma equipe internacional de cientistas, oceanos já dão sinais de extinção em massa da vida marinha. O alerta consta de um relatório apresentado hoje por um painel de especialistas do Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos (Ipso), resultado do estudo dos efeitos acumulados da ação humana sobre os oceanos por 27 especialistas de 7 países.

Os cientistas afirmam que as cinco extinções em massa que se conhecem na história da Terra, quando mais de 50% das espécies existentes desapareceram, foram precedidas por condições muito semelhantes às observadas atualmente. “Os resultados são chocantes”, afirma Alex Rogers, diretor científico do Ipso, que organizou o seminário junto com a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e a Comissão Mundial das Áreas Protegidas (CMAP). "Considerando-se o efeito cumulativo que a humanidade causou aos oceanos, chegamos à conclusão de que as consequências são bem mais graves do que cada um de nós acreditava."

Aquecimento, acidificação e falta de oxigênio nos mares são algumas das marcas que podem ser observadas. Ao contrário das extinções passadas, estes sinais, conforme o relatório, são a consequências da atividade humana, e apenas agora pesquisadores começam a entender como os três fatores interagem. Os pesquisadores afirmam que foram subestimados os riscos de cada problema, e o resultado foi uma degradação ambiental bem maior do que a mera soma das consequências individuais destas pressões.
...
Fonte - Veja

Nota DDP: Isolando os componentes estranhos ao entendimento criacionista, bem como os objetivos ECOmênicos, é interessante se notar que o discurso da ciência vem gradativamente se alinhando ao religioso: estamos caminhando para o fim desta terra como a conhecemos.

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